sábado, 6 de outubro de 2007

CD Review: Sonata Arctica - Unia




Sonata Arctica – Unia
Gravadora: Rock Brigade Records/ Nuclear Blast/ Laser Company Records


por Artur Henriques


Em 2003, quando do lançamento do álbum Winterheart´s Guild, o grupo Sonata Arctica parecia mostrar um novo rumo para sua sonoridade, trazendo algumas músicas mais cadenciadas, além de mais peso e um ar mais sombrio para sua música. Mas eis que em 2004 o grupo lançou o álbum Reckoning Night, que acabou por frustrar muitos daqueles que esperavam ouvir a banda aprofundando sua evolução sonora. Isso porque nesse registro o grupo optou por fazer um Metal Melódico do tipo mais comum, além de ter desagradado muitos fãs pela importância dada aos teclados em detrimento das guitarras .

Agora com o mais novo lançamento, o álbum Unia, a banda tem conseguido impressionar não só o público quanto a crítica, tendo obtido a proeza de arrancar elogios até mesmo de veículos midiáticos que não têm um histórico de apoio à banda.

Unia é, muito provavelmente, um álbum muito equilibrado e de variadas texturas, o que faz com que uma análise dele seja melhor desenvolvida faixa-a-faixa.

In Black and White

Nessa música, as guitarras já começam trazendo um peso atípico do que se espera de uma música da banda, além de possuírem riffs marcantes. E Jani Liimatainen volta a brilhar com um solo de guitarra que remete aos velhos tempos. Nessa primeira música também já fica latente um novo elemento que a banda adicionou a sua sonoridade: o progressivo. Mesmo que ainda predomine os elementos Melódicos.

Paid In Full

Dizer que essa música é Sonata Arctica puro talvez seja a melhor forma de descrevê-la. Detentora de melodias e refrão marcantes, uma letra com caráter sentimental, a música acaba tendo um claro apelo “pop” (com tudo de positivo que esse termo possa ter). Não é à toa que foi escolhida para ser a primeira música de trabalho.

For The Sake of Revenge

Ao ouvir essa música, muito provavelmente o ouvinte que já é familiarizado com a banda será tomado por uma sensação de “Dejá Vu”, pois ela se parece muito com outras coisas que a própria banda fez no passado (mesmo que no início dela exista algo de experimental). Mas infelizmente a música não conta com as características que fizeram do Sonata Arctica uma grande banda, pois não possuiu melodias ou instrumental marcantes, tendo como seu ponto positivo a excelente letra escrita por Tony Kakko. Acaba por ser uma das músicas mais fracas do álbum.

It Won´t Fade

Aqui o álbum volta a ganhar qualidade. Pois os riffs e os refrões marcantes voltam com carga total, e a música apresenta mais alguns elementos desse novo álbum: uma variação vocal como nunca ouve em uma única música na história da banda!

Under Your Tree

Típica balada (que os fãs sempre esperam encontrar num álbum da banda), que é bonita mas acaba por ser tornar cansativa e chata. Mais uma vez a letra escrita por Tony é um destaque a parte.

Caleb

Essa música é um bom exemplo do que é o álbum Unia. Ela começa de forma cadenciada e trazendo riffs marcantes, mas em seu meio ela acaba por emular o antigo Sonata, para depois voltar para sua sonoridade mais atual.

The Vice

Apresenta várias “faces” diferentes (a música muda constantemente ao longo da execução), e tem como um de seus destaques as harmonias vocais interessantes. É um dos grandes destaques do álbum.

My Dream´s But a Drop of Fuel For a Nightmare

Essa música faz a gente pensar que Tony devia estar ouvindo muito Queen quando a compôs, pois a influência é gritante (principalmente no início dela). Além disso também podemos constatar uma evolução enorme das capacidades de Tony como cantor e da banda em trabalhar com arranjos mais interessantes.

The Harvest

Um dos grandes destaques do CD, essa música traz uma junção do Metal Melódico do passado com o peso que a banda tenta empregar atualmente. Os vocais aqui estão mais agressivos e as guitarras bastante pesadas (para o padrão da banda).

The Worlds Forgotten, The Words Forbidden

Música muito bonita que começa com um ar meio “modernoso”, mas que depois se converte numa típica balada da banda. Também é detentora de uma das letras mais bonitas de todo CD.

Fly With The Black Swan

Outro grande destaque do álbum. Uma das mais pesadas, mas que alterna momentos mais vertiginosos com passagens mais calmas. Também traz consigo uma gama variada de “texturas” a serem apreendidas pelo ouvinte (recomenda-se que se ouça várias vezes esta aqui).

Good Enough Is Good Enough

Escolha perfeita para encerrar o álbum. Detentora de uma bela melodia que casa perfeitamente com a linda letra que a acompanha. Além de contar com ótimos arranjos também possuiu uma das melhores performances vocais de Tony.

Além dessas considerações acredito que valha a pena destacar outras coisas.

Uma primeira ponderação, é um certo caráter Prog que a banda adotou nesse álbum. Longe de sair das fronteiras da Metal Melódico, o que a banda parece querer a partir de agora é tentar deixar o som mais interessante e com novos elementos (coisa que no Unia eles foram bem sucedidos).

Outra surpresa para os velhos detratores da banda é a evolução dos músicos Marko Paasikoski (baixista) e Tommy Portimo (baterista). O primeiro apesar de já ter demonstrado seu valor nos álbuns ao vivo Songs Of Silence – Live In Tokyo e For The Sake Of Revenge, nunca tinha tido a oportunidade de brilhar tanto em estúdio quanto agora. Já Tommy (que sempre foi acusado de só saber tocar rápido e de forma “reta”) demonstrou uma evolução brutal nesse novo álbum! Criando linhas de bateria muito mais interessantes e variadas.

Por último, mas não menos importante é de se destacar (mais uma vez) a importância que as guitarras voltaram a ter. Afinal, quando Henrik Klingenberg (tecladista) entrou na banda, pareceu que o som do Sonata tinha sido tragado pelos teclados. Agora, volta a existir um equilíbrio maior entre esses dois instrumentos. Também se torna curioso ao pensarmos que esse álbum representou o “canto de cisne” do guitarrista Jani na banda, já que ele foi expulso devido aos problemas pessoais que ele enfrenta atualmente.

Portanto, Unia é um álbum mais do que recomendando tanto para aqueles que já são fãs da banda quanto para aqueles que tem preconceitos (ou pré-conceitos) referentes ao grupo.

Nota: 9.0

2 comentários:

Marcos disse...

Como grande fã da banda, fico feliz por saber que o tão querido Sonata Arctica vem evoluindo cada vez mais. Como dito no início do Post, uma pena não terem dado continuidade à evolução que estava ocorrendo no início da década. Tomara que dessa vez eles aproveitem a oportunidade e explodam de vez. Nessa ocasião eu falava pros meus amigos que o Sonata iria se transformar na maior banda de Metal da Finlândia (Brincadeiras a parte), melhor mesmo que o Stratovarius (que na época tava foda!)...

Parabenizo também quem escreveu esse Post pelo grande Review que fez do CD. Não vejo a hora de pegar o CD que acabei de comprar e botar no talo pra ver como ficou esse novo trabalho.

Felipe disse...

Sempre gostei de progressive metal. Quando peguei pela primeira vez Sonata Arctica para ouvir, fui logo influenciado pelo seu ritmo rápido e por músicas marcantes e de fácil memorização, e muito boas de cantar, como são as músicas dos 2 primeiros CDs da banda: "Ecliptica" e "Silence". O ritmo da banda foi mudando... em "Winterheart's Guild" ainda prevaleceram tais músicas, em "Reckoning Night" o estilo meio que caiu por terra e ficou difícil gostar do CD...

Bem, chegamos ao Unia. Como eu estava influenciado (e gostado muito) pelo ritmo dos 2 primeiros CDs, ao ouvir Unia pela primeira vez, achei uma porcaria. Cadê as músicas legais e rápidas de se ouvir, como Black Sheep, The Cage, Replica, Full Moon? Aí, comecei a ouvir outras vezes... e comecei a ler os reviews... o seu review música por música foi muito bom e me fez acordar. Realmente comecei prestar atenção nas letras e no ritmo... e comecei a curtir mais... mais e mais... até que melhorei meu review inicial. De 1 a 5, inicialmente tinha dado nota 2 para o álbum... agora já dou nota 4.

Notei que nesse CD o Sonata Arctica deixou o ritmo progressivo estilo Helloween (de músicas marcantes e fáceis de lembrar dos primeiros CDs do Helloween) e começaram a se aproximar da influência de Blind Guardian e Rhapsody of Fire, outras 2 bandas que curto muito. Por isso não foi tão difícil gostar desse CD depois de ouvir mais vezes.

Posso escolher 3 grandes músicas do CD: a mais bonita em letra e harmonia para mim é "Caleb". A música mais gostosa de ouvir, seguindo esse novo estilo, é "My Dream's but a Drop of Fuel for a Nightmare" (poh, que nome comprido hehehe). E a "música-estilo" do álbum, o que demarca o estilo Sonata Arctica de todos os tempos, é sem dúvida "Paid in Full".