sábado, 6 de outubro de 2007

CD Review: Sonata Arctica - Unia




Sonata Arctica – Unia
Gravadora: Rock Brigade Records/ Nuclear Blast/ Laser Company Records


por Artur Henriques


Em 2003, quando do lançamento do álbum Winterheart´s Guild, o grupo Sonata Arctica parecia mostrar um novo rumo para sua sonoridade, trazendo algumas músicas mais cadenciadas, além de mais peso e um ar mais sombrio para sua música. Mas eis que em 2004 o grupo lançou o álbum Reckoning Night, que acabou por frustrar muitos daqueles que esperavam ouvir a banda aprofundando sua evolução sonora. Isso porque nesse registro o grupo optou por fazer um Metal Melódico do tipo mais comum, além de ter desagradado muitos fãs pela importância dada aos teclados em detrimento das guitarras .

Agora com o mais novo lançamento, o álbum Unia, a banda tem conseguido impressionar não só o público quanto a crítica, tendo obtido a proeza de arrancar elogios até mesmo de veículos midiáticos que não têm um histórico de apoio à banda.

Unia é, muito provavelmente, um álbum muito equilibrado e de variadas texturas, o que faz com que uma análise dele seja melhor desenvolvida faixa-a-faixa.

In Black and White

Nessa música, as guitarras já começam trazendo um peso atípico do que se espera de uma música da banda, além de possuírem riffs marcantes. E Jani Liimatainen volta a brilhar com um solo de guitarra que remete aos velhos tempos. Nessa primeira música também já fica latente um novo elemento que a banda adicionou a sua sonoridade: o progressivo. Mesmo que ainda predomine os elementos Melódicos.

Paid In Full

Dizer que essa música é Sonata Arctica puro talvez seja a melhor forma de descrevê-la. Detentora de melodias e refrão marcantes, uma letra com caráter sentimental, a música acaba tendo um claro apelo “pop” (com tudo de positivo que esse termo possa ter). Não é à toa que foi escolhida para ser a primeira música de trabalho.

For The Sake of Revenge

Ao ouvir essa música, muito provavelmente o ouvinte que já é familiarizado com a banda será tomado por uma sensação de “Dejá Vu”, pois ela se parece muito com outras coisas que a própria banda fez no passado (mesmo que no início dela exista algo de experimental). Mas infelizmente a música não conta com as características que fizeram do Sonata Arctica uma grande banda, pois não possuiu melodias ou instrumental marcantes, tendo como seu ponto positivo a excelente letra escrita por Tony Kakko. Acaba por ser uma das músicas mais fracas do álbum.

It Won´t Fade

Aqui o álbum volta a ganhar qualidade. Pois os riffs e os refrões marcantes voltam com carga total, e a música apresenta mais alguns elementos desse novo álbum: uma variação vocal como nunca ouve em uma única música na história da banda!

Under Your Tree

Típica balada (que os fãs sempre esperam encontrar num álbum da banda), que é bonita mas acaba por ser tornar cansativa e chata. Mais uma vez a letra escrita por Tony é um destaque a parte.

Caleb

Essa música é um bom exemplo do que é o álbum Unia. Ela começa de forma cadenciada e trazendo riffs marcantes, mas em seu meio ela acaba por emular o antigo Sonata, para depois voltar para sua sonoridade mais atual.

The Vice

Apresenta várias “faces” diferentes (a música muda constantemente ao longo da execução), e tem como um de seus destaques as harmonias vocais interessantes. É um dos grandes destaques do álbum.

My Dream´s But a Drop of Fuel For a Nightmare

Essa música faz a gente pensar que Tony devia estar ouvindo muito Queen quando a compôs, pois a influência é gritante (principalmente no início dela). Além disso também podemos constatar uma evolução enorme das capacidades de Tony como cantor e da banda em trabalhar com arranjos mais interessantes.

The Harvest

Um dos grandes destaques do CD, essa música traz uma junção do Metal Melódico do passado com o peso que a banda tenta empregar atualmente. Os vocais aqui estão mais agressivos e as guitarras bastante pesadas (para o padrão da banda).

The Worlds Forgotten, The Words Forbidden

Música muito bonita que começa com um ar meio “modernoso”, mas que depois se converte numa típica balada da banda. Também é detentora de uma das letras mais bonitas de todo CD.

Fly With The Black Swan

Outro grande destaque do álbum. Uma das mais pesadas, mas que alterna momentos mais vertiginosos com passagens mais calmas. Também traz consigo uma gama variada de “texturas” a serem apreendidas pelo ouvinte (recomenda-se que se ouça várias vezes esta aqui).

Good Enough Is Good Enough

Escolha perfeita para encerrar o álbum. Detentora de uma bela melodia que casa perfeitamente com a linda letra que a acompanha. Além de contar com ótimos arranjos também possuiu uma das melhores performances vocais de Tony.

Além dessas considerações acredito que valha a pena destacar outras coisas.

Uma primeira ponderação, é um certo caráter Prog que a banda adotou nesse álbum. Longe de sair das fronteiras da Metal Melódico, o que a banda parece querer a partir de agora é tentar deixar o som mais interessante e com novos elementos (coisa que no Unia eles foram bem sucedidos).

Outra surpresa para os velhos detratores da banda é a evolução dos músicos Marko Paasikoski (baixista) e Tommy Portimo (baterista). O primeiro apesar de já ter demonstrado seu valor nos álbuns ao vivo Songs Of Silence – Live In Tokyo e For The Sake Of Revenge, nunca tinha tido a oportunidade de brilhar tanto em estúdio quanto agora. Já Tommy (que sempre foi acusado de só saber tocar rápido e de forma “reta”) demonstrou uma evolução brutal nesse novo álbum! Criando linhas de bateria muito mais interessantes e variadas.

Por último, mas não menos importante é de se destacar (mais uma vez) a importância que as guitarras voltaram a ter. Afinal, quando Henrik Klingenberg (tecladista) entrou na banda, pareceu que o som do Sonata tinha sido tragado pelos teclados. Agora, volta a existir um equilíbrio maior entre esses dois instrumentos. Também se torna curioso ao pensarmos que esse álbum representou o “canto de cisne” do guitarrista Jani na banda, já que ele foi expulso devido aos problemas pessoais que ele enfrenta atualmente.

Portanto, Unia é um álbum mais do que recomendando tanto para aqueles que já são fãs da banda quanto para aqueles que tem preconceitos (ou pré-conceitos) referentes ao grupo.

Nota: 9.0

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Notícias

MindFlow grava com produtor do Megadeth

Publicado no www.whiplash.net - o mais completo site de rock e metal

Depois do retorno da turnê internacional, o MINDFLOW está agora em fase final da pré-produção do terceiro álbum.

O novo trabalho será gravado a partir de dezembro nos Estúdios Mosh de São Paulo e mixado em Los Angeles. O disco, cujo tema e título não foram revelados e que deve sair em maio do próximo ano, será produzido, gravado e mixado pelo produtor norte Americano Ben Grosse, responsável por discos de nomes como DISTURBED, MEGADETH, MARILYN MANSON e SLIPKNOT.

Genocídio lança seu primeiro DVD, "Probations"

Publicado no www.whiplash.net - o mais completo site de rock e metal

(Press-release)

A lendária banda GENOCÍDIO, formada atualmente por Murillo Leite (guitarra e vocal), W. Perna (baixo), Dennis Decurion (guitarra) e Fábio Moyses (bateria), acaba de lançar pela Voice Music o seu primeiro DVD, intitulado "Probations". O grupo registrou a apresentação realizada no dia 30 de setembro de 2006 no Blackmore Bar, em São Paulo (SP), que marcou a primeira apresentação da nova formação na capital paulista e a primeira vez em dez anos que Murillo e Perna dividiram o palco novamente em um show do GENOCÍDIO.

Mais que apenas um registro da volta, esse lançamento é o começo de um novo ciclo, ainda mais poderoso! A primeira parte do DVD mostra a banda tocando todos os clássicos, dois covers e uma nova composição, que deixará os fãs ansiosos pelo novo registro em CD, que deve vir em 2008. Além disso, o DVD mostra um documentário contado pelos próprios integrantes, com depoimentos, clipes, fotos, ilustrações e os shows históricos que fizeram da banda uma peça única no Metal durante duas décadas, influenciando toda uma geração. "Probations" é um DVD cuidadosamente produzido para quem é fã e para quem quer conhecer mais sobre a banda: completo!

O novo site do GENOCÍDIO - www.genocidio.com.br - estará no ar às 00h00 da próxima segunda-feira, dia 8 de outubro.

Ramones: ex baterista processa empresários

Publicado no www.whiplash.net - o mais completo site de rock e metal

Richie Ramone, baterista dos RAMONES entre 1983 e 1987, abriu um processo contra os empresários e representantes da banda, além do Wal-Mart, Apple e a RealNetworks, pedindo U$900,000 por direitos autorais de músicas vendidas pela internet.

De acordo com a Associated Press, Richie (nome real Richard Reinhardt) clama pelos direitos das seis músicas que ele co-escreveu nos quatro anos em que esteve no lendário grupo nova-iorquino, sendo elas: "Smash You", "Somebody Put Something in My Drink", "Human Kind", "I'm Not Jesus", "I Know Better Now", e "(You) Can't Say Something Nice".

Não é a primeira vez que Richie processa os RAMONES por falta de pagamento de direitos autorais. “Richie nunca obteve o reconhecimento criativo, e certamente econômico, por ser uma peça importante para os Ramones durante aquela que foi provavelmente sua fase menos visível”, diz o advogado de Richie, Jeff Sanders.

Sonata Arctica: Kakko comenta saída de Jani

Publicado no www.whiplash.net - o mais completo site de rock e metal

Em entrevista para a MetalTeamUK.net Tony Kakko, vocalista do SONATA ARCTICA, falou sobre a saída do guitarrista Jani Liimatainen:

"Bem, Jani não era mais capaz de cuidar de nada. Ele esteve preso por um mês, por exemplo, por fugir do Serviço Militar. Não há forma dele se livrar disso ainda – isto foi em abril, que ele permaneceu na cadeia. Ele foi prestar Serviço Social e o que eu ouvi foi que ele estava fazendo treinamento para isso, algum tipo de preparação. Esse serviço dura um ano ou um pouco mais – 395 dias? Bem, um dia na prisão conta muitos dias no Serviço social, então eu não sei. Eu não tenho tido contato com ele, tem sido impossível. Outro dos principais problemas é que, não importa o que você fizesse, cartas, etc, ele não respondia. Você envia mensagem de celular para ele e não tem retorno. É impossível e ele obviamente não queria mais fazer parte da banda. Para mim é algo como quando você está namorando uma garota e você quer acabar com ela, mas não é homem o suficiente de dizer isso diretamente. Então você começa a estragar as coisas e dessa maneira a garota diz: 'Eu não quero mais estar com você'. Ao invés da garota deixar você, seja um homem e a deixe. Este é o meu ponto de vista".

Leia toda a entrevista (em inglês) no metalteamuk.net.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Notícia

Firehouse anuncia show no Rio de Janeiro

Publicado no www.whiplash.net - o mais completo site de rock e metal

A banda norte-americana FIREHOUSE anunciou em seu site oficial que fará uma apresentação no "Circo Voador" do Rio de Janeiro no dia 17 de novembro.

O último trabalho do grupo foi o "Prime Time", de 2003.

domingo, 30 de setembro de 2007

Notícias da Semana

Marillion anuncia novo DVD para novembro: A banda inglesa Marillion anunciou em seu site oficial o lançamento de um novo DVD agendado para chegar às lojas em novembro. Com o título de “Somewhere in London” o DVD traz músicas gravadas em duas noites na casa de shows Forum, em Londres, em junho deste ano, em apresentações da turnê do disco “Somewhere Else”. A direção e edição do material foi feita por Tim Sidwell, que já trabalhou com o grupo em outros projetos [...] (Fonte: Rock Online)






Darkane começa gravar novo álbum no final do ano: A banda sueca Darkane divulgou que vai começara trabalhar na gravação do próximo disco no final do ano. O inicio para as gravações atrasou devido a problemas que o grupo teve com o estúdio da banda, tendo que encontrar um novo local para montar toda a aparelhagem e começar os trabalhos [...] (Fonte: Rock Online)






Robert Plant garante que Led não vai fazer turnê: Parece que realmente só 20 mil fãs de muita sorte vão poder assistir ao vivo a reunião do Led Zeppelin, isso porque o vocalista Robert Plant declarou para a imprensa que o grupo não vai fazer uma turnê, mas somente o show que o grupo já anunciou que vai acontecer no dia 26 de novembro, no O2 Arena, em Londres. Os 20 mil compradores foram sorteados entre quase 20 milhões de inscrições e cada um vai pagar pelo ingresso o equivalente a R$500,00 [...] (Fonte: Rock Online)






Paul McCartney celebra Liverpool como Capital Cultural: A cidade que viu uma das maiores – a maior? – banda de todos os tempos nascer e se transformar em um fenômeno mundial, Liverpool, vai ser palco para uma apresentação de Paul McCartney e Ringo Starr. O show será realizado no dia 01 de junho de 2008, em um estádio de futebol. A apresentação faz parte dos eventos que visam celebrar Liverpool como ‘Capital Européia da Cultura’, junto com a cidade de Stavanger, na Noruega [...] (Fonte: Rock Online)

domingo, 23 de setembro de 2007

CD Review: Viper – All My Life


Viper – All My Life
Gravadora: Eldorado

por Artur Henriques

O grupo Viper é bastante conhecido do público fã de Heavy Metal tradicional e Metal Melódico do Brasil. Afinal a banda (quando ainda contava com André Matos no vocal) lançou o álbum Theatre of Fate em 1989, sendo que com esse álbum a banda conseguiu duas proezas: ao lado do grupo alemão Helloween foram alçados ao posto de co-criadores do gênero Metal Melódico, e também conseguiram ser a primeira banda brasileira a obter sucesso no exterior (mais especificamente no Japão).

Mas seria com o álbum Evolution (mais voltado para sonoridade do Heavy Metal tradicional e tendo o baixista Pit Passarell nos vocais) que a banda atingiu seu ápice, consolidando sua carreira tanto no Brasil quanto no exterior. A coroação dessa fase viria com o álbum ao vivo Maniacs In Japan – Viper Live.

Já com o álbum Coma Rage, apesar da banda obter algumas conquistas (conseguiram colocar o cover do The Clash -I Fought The Law- no primeiro lugar da MTV Brasil) muitos dos antigos fãs viraram as costas para a banda, devido à mudança do som, mais voltado para o Punk Rock/Hardcore. E com o álbum Tem Para Todo Mundo (voltado para uma sonoridade pop rock) a banda se viu entregue à própria sorte, devido à falência da gravadora que deveria lançar o álbum. Isso acabou ocasionando um encerramento das atividades do grupo.

Mais recentemente a banda anunciou o retorno às atividades e se estabilizou com o lin up que gravou o novo álbum: o vocalista Ricardo Bocci (ex-Rei Lagarto), o baixista Pit Passarell, o baterista Renato Graccia, e os guitarristas Felipe Machado e Val Santos (sendo que esse último já saiu da banda, e está sendo substituído provisoriamente por Marcelo Mello).

Esse álbum surge em meio a muitas expectativas tendo em vista que em várias oportunidades a banda anunciou que pretendia com esse novo álbum produzir o elo perdido entre a fase do álbum Theatre of Fate e do Evolution, tendo para isso inclusive convocado um ex-aluno do André Matos para assumir o posto de vocalista. Mas será que a banda conseguiu? Nem tanto.

All My Life não traz o peso de Evolution ou a técnica apurada de Theatre of Fate, e na verdade agrega elementos novos ao som da banda. Principalmente devido ao vocal de Ricardo, em muitos momentos o som acabou por ficar com uma roupagem Hard Rock.

O álbum está longe de ser ruim, apresentando grandes momentos como a faixa título que abre o CD, Come On Come On (para mim a melhor, possuidora de um refrão marcante), Love Is All (com participação do ex-integrante André Matos) e a balada Violet (com participação de outro ex-integrante da banda, o guitarrista Yves Passarell, atualmente na banda Capital Inicial).

Portanto, quem for fã do grupo ou deseja conhecer uns dos pais fundadores do Metal Melódico pode ir sem medo, para quem não é particularmente interessado na banda ou no som que eles praticam recomendo uma primeira audição para talvez se convencerem de que estão diante de uma grande banda.

Nota: 8.5

Classic Album: King Diamond - Conspiracy

Na sessão Classic Albums pretende-se homenagear as obras que merecem ser relembradas. Aqueles álbuns que consideramos fundamentais para os ouvintes de Heavy Rock...



King Diamond – Conspiracy

por Wesley Rodrigues

Um dia desses numa conversa ouvi algo bastante interessante, que foi mais ou menos assim: “Não ter respeito é foda. Veja por exemplo o Angra...tem um sucesso absurdo mas é uma banda muito zuada. E com ela você pode incluir várias de melódico. O Sepultura é outra que, apesar do legado, não tem respeito unânime. Mas o King Diamond não. Ele é diferente, o cara tem muito respeito apesar de toda excentricidade.”

Concordo plenamente. King Diamond tem um status altíssimo dentro do Heavy Metal. O talento está mais do que manifesto em obras como Don’t Break the Oath do Mercyful Fate e Abigail da sua banda solo. Na lista dos que já demonstraram admiração por ele está Michael Amott (Arch Enemy), Alex Camargo (Krisiun) e André Matos (esse todo mundo sabe quem é).

Achei interessante essa conversa sobre respeito porque algumas vezes já vi pessoas que gostam de metal o ridicularizarem. Os motivos vão desde as poses nas fotos com sua caracterização e postura supostamente satanista até, e principalmente, os vocais em falsete. Tudo isso acaba virando um obstáculo para que o indivíduo passe a gostar da banda. Esse é, por exemplo, o problema dos meus pais que têm a ele um repúdio quase ódio (rs). Pobre King.

Não culpo ninguém por essa resistência. De fato, os vocais são bem estranhos. Conheço um cara que disse que antigamente não ouvia King Diamond muito alto por vergonha!(rs) Porém, vale dizer que para apreciar certas obras de arte (filme, literatura, pintura, música, etc.) é necessário baixar um pouco a guarda e procurar se adaptar ao que o autor propõe. Isso pode significar, am alguns casos, se despir de preconceitos ou deixar de lado padrões para que se possa entrar no clima da coisa. Acho, portanto, bastante válido e bom qualquer esforço de compreensão de manifestações artísticas com as quais não estamos acostumados.
Uma rejeição pura e instantânea de qualquer obra impede que se crie um maior ecletismo e aceitação de outras tendências, estilos, etc., o que é, a meu ver, uma postura limitante e empobrecedora. Isso é exatamente o que faz “bangers” mais tradicionais que, embora ouçam King Diamond (já não estamos mais falando dele aqui), se fecham de forma idiota dentro do Heavy Metal como se ele fosse o único estilo bom na Terra e que tratam como especial e superior o que na verdade é só mais um. Acho uma postura mais inteligente entender que todos os estilos de música (e de outros tipos de arte) têm seu valor dentro dos contextos em que são produzidos e consumidos. Não pretendo dizer com isso que tudo é maravilhoso e que devemos ouvir tudo, mas sim que diferentes estilos existem para diferentes pessoas e, principalmente, que nós podemos ser mais elásticos quanto aos nossos gostos - ou, se não isso, pelo menos pararmos com uma atitude de arrogância e estupidez tão facilmente encontrada nos círculos de metal.

Sem mais masturbações, que essa conversa já está quase perdendo o rumo, voltemos ao King.

Talvez ele continue uma barreira intransponível para alguns e que risinhos de cinismo e piadinhas continuem a ocorrer quando ele é ouvido. Mas é uma pena que as coisas sejam assim. Tudo isso deveria cair por terra quando você coloca um disco do calibre de Conspiracy para rodar. Esse disco é de 1989. É o quarto de sua carreira, tendo sido lançado depois do comercialmente bem sucedido Them (que aliás é o que eu considero o melhor).

A primeira faixa é At The Graves. Primeiro tem uma introdução que narra o quanto um garoto sente falta de sua irmãzinha morta, dando bem aquele clima de filme de terror. Em seguida, o metal começa com as vozes cantando: Rise my friends...rise/Spirits rising from their graves... e aí a casa cai. Essas primeiras frases são uma boa amostra da força de sua voz e logo de cara dá para perceber que ele coloca o coração no que faz. Seu vocal é bem versátil e as canções são interpretadas com muito feeling. E daí por diante o que se tem são vários riffs e solos de guitarra bem inspirados numa música longa e complexa.
O disco segue com Sleepless Nights, onde os vocais são destaque. Lies vem em seguida e tem um solo muito bonito. A Visit From The Dead também está entre as melhores com uma intro no violão muito legal. Outros faixas de destaque são as instrumentais e curtas Something Weird e Victimized.

O disco conta à história de um garoto que sofre bastante: de um lado, pela perda da irmã, e de outro, pelo que sua mãe lhe reserva. Tudo isso embalado por um Heavy tradicional com guitarristas excelentes: Andy LaRocque (que assina várias faixas) e Pete Blakk. Eles fazem desse disco um prato cheio para quem gosta de um bom trabalho de guitarras!

Em suma, Conspiracy é matador: um som pesado, com músicas que variam bastante e os já citados solos e riffs indefectíveis. Simplesmente um Heavy Metal de altíssima qualidade. E se você continuar de frescura por causa do vocal, azar o seu.

Conspiracy (1989)
Gravadora: Roadrunner Records (Brasil - 1996)
Produção: Roberto Falcao, King Diamond e Andy La Rocque
Line-up: King Diamond (vocal), Andy La Rocque (guitarra), Pete Blackk (guitarra), Hal Patino (baixo)
Músicos de apóio: Mikkey Dee (bateria), Roberto Falcao (teclado)


sábado, 22 de setembro de 2007

CD Review: Tempestt – Bring `Em On




Tempestt – Bring `Em On
Gravadora: Dynamo Records

por Artur Henriques


A banda Tempestt é formada por músicos da mais alta qualidade, e tem no seu currículo o fato de terem sido a banda de apoio do vocalista Jeffy Scott Soto na passagem dele pelo Brasil. E agora, no ano de 2007, a banda resolveu lançar finalmente seu álbum de estréia. E que estréia!

Muitos são os predicados do álbum Bring `Em On dos paulistanos da banda Tempestt, por isso fica até difícil saber por onde começar uma crítica (não sendo à toa o CD ter chegado a ficar no posto de mais vendidos da gravadora Dynamo ficando na frente de nomes como Bruce Dickinson e Venom).

Bom, acho que poderia falar sobre o que primeiro me chamou atenção: o vocal. Afinal, muitas vezes é o vocal que detêm a capacidade de transformar o som de uma banda em algo agradável e/ou interessante de se ouvir. E no caso do Tempestt os vocais de BJ são essenciais! Afinal ele consegue alternar momentos melodiosos com partes agressivas, sem nunca perder a técnica e o bom gosto de vista.

Outro membro que se destaca é o guitarrista Leo Mancine, além do aspecto técnico (onde todos na banda são acima da média) ele também é o letrista de todas as músicas (onde impõe um caráter pessoal e introspectivo na maior parte delas) e ele também é autor de algumas das melhores músicas presentes no CD.

Mas qual seria a sonoridade que essa banda formada por músicos do mais alto gabarito apresenta? Difícil de responder, a estrutura da maior parte das músicas remete o ouvinte ao Heavy Metal tradicional dos anos 1980, por outro lado o alto nível técnico de execução das músicas nos faz pensar na sonoridade do Progressivo, e para completar os refrões são grudentos e parecem sair da cena Hard Rock californiana. Isso tudo faz com que a banda não soe clichê apesar de não apresentar nada de novo.

Quanto às músicas presentes no álbum é difícil de apresentar destaques, pois é um álbum muito coeso e equilibrado, mas vale a pena chamar a atenção para alguns momentos.

A faixa-título traz o solo de guitarra feita por Hugo Mariutti (André Matos, Henceforth, Remove Silence, ex-Shaman) e para aqueles que não gostam do trabalho do guitarrista vale a pena conferir o solo de guitarra feito por ele nessa música. Outra participação especial é a de Jeffy Scott Soto na música Insanity Desire, e apesar de Jeffy não fazer nada que o vocalista BJ não conseguisse, ele acrescenta mais “cor” na música, sendo uma grande contribuição.

Enemy In You e Fallen Moon são as duas melhores músicas de todo o CD! Em grande parte devido aos refrões mais do que marcantes e empolgantes presentes nelas. Outra preciosidade é a música Healing, uma linda balada que fecha de forma soberba esse grande trabalho.

Se você ainda não ouviu a banda Tempestt, trate de conhecê-los! Pois esse é sem sombra de dúvidas um dos maiores (se não o maior) lançamento do Metal brasileiro em 2007.

Nota: 10.