
Gravadora: Rock Brigade Records/ Nuclear Blast/ Laser Company Records
Agora com o mais novo lançamento, o álbum Unia, a banda tem conseguido impressionar não só o público quanto a crítica, tendo obtido a proeza de arrancar elogios até mesmo de veículos midiáticos que não têm um histórico de apoio à banda.
Unia é, muito provavelmente, um álbum muito equilibrado e de variadas texturas, o que faz com que uma análise dele seja melhor desenvolvida faixa-a-faixa.
In Black and White
Nessa música, as guitarras já começam trazendo um peso atípico do que se espera de uma música da banda, além de possuírem riffs marcantes. E Jani Liimatainen volta a brilhar com um solo de guitarra que remete aos velhos tempos. Nessa primeira música também já fica latente um novo elemento que a banda adicionou a sua sonoridade: o progressivo. Mesmo que ainda predomine os elementos Melódicos.
Paid In Full
Dizer que essa música é Sonata Arctica puro talvez seja a melhor forma de descrevê-la. Detentora de melodias e refrão marcantes, uma letra com caráter sentimental, a música acaba tendo um claro apelo “pop” (com tudo de positivo que esse termo possa ter). Não é à toa que foi escolhida para ser a primeira música de trabalho.
For The Sake of Revenge
Ao ouvir essa música, muito provavelmente o ouvinte que já é familiarizado com a banda será tomado por uma sensação de “Dejá Vu”, pois ela se parece muito com outras coisas que a própria banda fez no passado (mesmo que no início dela exista algo de experimental). Mas infelizmente a música não conta com as características que fizeram do Sonata Arctica uma grande banda, pois não possuiu melodias ou instrumental marcantes, tendo como seu ponto positivo a excelente letra escrita por Tony Kakko. Acaba por ser uma das músicas mais fracas do álbum.
It Won´t Fade
Aqui o álbum volta a ganhar qualidade. Pois os riffs e os refrões marcantes voltam com carga total, e a música apresenta mais alguns elementos desse novo álbum: uma variação vocal como nunca ouve em uma única música na história da banda!
Under Your Tree
Típica balada (que os fãs sempre esperam encontrar num álbum da banda), que é bonita mas acaba por ser tornar cansativa e chata. Mais uma vez a letra escrita por Tony é um destaque a parte.
Caleb
Essa música é um bom exemplo do que é o álbum Unia. Ela começa de forma cadenciada e trazendo riffs marcantes, mas em seu meio ela acaba por emular o antigo Sonata, para depois voltar para sua sonoridade mais atual.
The Vice
Apresenta várias “faces” diferentes (a música muda constantemente ao longo da execução), e tem como um de seus destaques as harmonias vocais interessantes. É um dos grandes destaques do álbum.
My Dream´s But a Drop of Fuel For a Nightmare
Essa música faz a gente pensar que Tony devia estar ouvindo muito Queen quando a compôs, pois a influência é gritante (principalmente no início dela). Além disso também podemos constatar uma evolução enorme das capacidades de Tony como cantor e da banda em trabalhar com arranjos mais interessantes.
The Harvest
Um dos grandes destaques do CD, essa música traz uma junção do Metal Melódico do passado com o peso que a banda tenta empregar atualmente. Os vocais aqui estão mais agressivos e as guitarras bastante pesadas (para o padrão da banda).
The Worlds Forgotten, The Words Forbidden
Música muito bonita que começa com um ar meio “modernoso”, mas que depois se converte numa típica balada da banda. Também é detentora de uma das letras mais bonitas de todo CD.
Fly With The Black Swan
Outro grande destaque do álbum. Uma das mais pesadas, mas que alterna momentos mais vertiginosos com passagens mais calmas. Também traz consigo uma gama variada de “texturas” a serem apreendidas pelo ouvinte (recomenda-se que se ouça várias vezes esta aqui).
Good Enough Is Good Enough
Escolha perfeita para encerrar o álbum. Detentora de uma bela melodia que casa perfeitamente com a linda letra que a acompanha. Além de contar com ótimos arranjos também possuiu uma das melhores performances vocais de Tony.
Além dessas considerações acredito que valha a pena destacar outras coisas.
Uma primeira ponderação, é um certo caráter Prog que a banda adotou nesse álbum. Longe de sair das fronteiras da Metal Melódico, o que a banda parece querer a partir de agora é tentar deixar o som mais interessante e com novos elementos (coisa que no Unia eles foram bem sucedidos).
Outra surpresa para os velhos detratores da banda é a evolução dos músicos Marko Paasikoski (baixista) e Tommy Portimo (baterista). O primeiro apesar de já ter demonstrado seu valor nos álbuns ao vivo Songs Of Silence – Live In Tokyo e For The Sake Of Revenge, nunca tinha tido a oportunidade de brilhar tanto em estúdio quanto agora. Já Tommy (que sempre foi acusado de só saber tocar rápido e de forma “reta”) demonstrou uma evolução brutal nesse novo álbum! Criando linhas de bateria muito mais interessantes e variadas.
Por último, mas não menos importante é de se destacar (mais uma vez) a importância que as guitarras voltaram a ter. Afinal, quando Henrik Klingenberg (tecladista) entrou na banda, pareceu que o som do Sonata tinha sido tragado pelos teclados. Agora, volta a existir um equilíbrio maior entre esses dois instrumentos. Também se torna curioso ao pensarmos que esse álbum representou o “canto de cisne” do guitarrista Jani na banda, já que ele foi expulso devido aos problemas pessoais que ele enfrenta atualmente.
Portanto, Unia é um álbum mais do que recomendando tanto para aqueles que já são fãs da banda quanto para aqueles que tem preconceitos (ou pré-conceitos) referentes ao grupo.
Nota: 9.0





