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domingo, 24 de maio de 2015

Adrenaline Mob, Noturnall, Republica (Bar da Montanha, Limeira/SP, 16/05/15)

Resenha por Zenna Rocker https://www.facebook.com/pagerocker

Na noite do sábado, 16 de maio de 2015, a cidade de Limeira recebeu no palco do Bar da Montanha a turnê conjunta das bandas brasileiras Republica e Noturnall e da norte-americana Adrenaline Mob, o evento começou com a abertura da banda Republica tomando conta do palco e mostrando para que veio, a banda composta por Leo Belling (vocal), Luiz Fernando Vieira (guitarra), Jorge Marinhas (guitarra), Marco Vieira (baixo) e Fernando Rensi (bateria) executou as musicas do álbum Point Of No Return e interagiu com o público o tempo todo, esbanjando muita atitude e energia. A banda também tocou dois covers nomeado como “classic of the night” onde geralmente tocam uma canção dando ao publico a opção de escolha, citado o nome das bandas sem dizer qual era a musica, o publico ficou em duvida optando por duas as quais foram muito bem interpretadas as musicas escolhidas foram, Enter Sandman do Metallica e killing In The Name do Rage Against The Machine, a banda terminou a apresentação agradecendo ao publico presente pelo apoio e depois do show os músicos banda atenderam a todos em uma sessão de fotos e autógrafos.



Em seguida, a banda Noturnall sobe ao palco para se apresentar, mas sem o vocalista Thiago Bianchi, somente os integrantes Fernando Quesada (baixo), Léo Mancini (guitarra), Junior Carelli (teclado) acompanhados pelo baterista Aquiles Priester (Angra, Hangar, Primal Fear, Freakeys). A interação do público presente desde o princípio do show foi algo bastante satisfatório apesar do vocalista não está presente o show a banda não deixou nada a desejar, uma das surpresas durante a apresentação da banda foi quando o guitarristas Mike Orlando (Adrenaline Mob) subiu ao palco e se apossou do microfone e soltou a voz com a musica Symphony Of Destruction do Megadeth, e também quando o vocalista Russell Allen (Adrenaline Mob) e o vocalista Leo Belling (Republica) interpretaram a musica “Nocturnal Human Side” do Noturnall, no final da apresentação a banda foi bastante aplaudida. Deu para perceber que com poucos anos de estrada Noturnall também já conseguiu conquistar muitos fãs que vibravam com a apresentação da banda.



Depois de uma pequena pausa sobe ao palco a banda headliner da noite e muito aguardada pelo publico presente, a banda Adrenaline Mob com os integrantes Russell Allen (vocal), Mike Orlando (guitarra), Chad Szeliga (bateria), Erik Leonhardt (baixo) trouxeram muito carisma, energia e emoção durante sua apresentação. O set list apresentou canções advindas dos trabalhos lançados durante os cinco anos de carreira da banda, incluindo os albuns Omertà (2012), Men of Honor (2014) e o recente EP Dearly Departed (2015). Durante a apresentação teve o solo de guitarra de Mike Orlando muito competente e habilidoso e bem expressivo, sempre interagindo com o publico, ele mostrou toda sua simpatia e profissionalismo com o instrumento e também um dueto entre o vocalista Russell Allen e o vocalista do Republica Leo Belling onde prestarm homenagem a cinco anos da morte de DIO, fazendo com que o publico vibrasse e cantassem juntos a música Rainbow In The Dark.


Um dos momentos mais emocionante da noite foi quando o vocalista Russell Allen junto com Mike Orlando fez um acústico da balada “All Of The Line”, antes do inicio da musica o vocalista fez uma pausa para falar sobre Autismo e a importância de se amar e cuidar de uma criança autista e declarar-se pai de uma criança autista, e também dedicou a canção ao A.J Pero, baterista da banda que faleceu de forma inesperada no inicio do ano e que também era baterista do Twisted Sister, houve até o momento em que Mike largou o violão e pegou uma camiseta com o publico que homenageava o baterista e a exibiu no palco junto com Russell, enquanto o publico gritava nome de A.J em uma linda e emocionante homenagem, durante a execução da musica observamos lagrimas rolarem no rosto de Russell, que nesse momento já estava muito emocionado e agradecia ao publico que os recebeu calorosamente.

O que se leva de uma noite como essa com o encontro de três bandas que souberam usar e abusar muito bem do palco em qual se apresentaram e mostraram todo o seu potencial, carisma e profissionalismo, que fizeram literalmente o interior paulista se sentir satisfeito por poder ter recebido tão perto de casa bandas como essas, com uma grande bagagem musical é que devemos prestigiar sempre e dar todo apoio a esses eventos, como apreciadores do bom heavy metal não devemos deixar morrer.

E que possamos ter esse privilegio sempre de receber cada vez mais eventos desse porte. Deixo aqui os agradecimentos em especial a Edson Moraes, produtor do evento e que vem proporcionando a Limeira e região oportunidades únicas de poder prestigiar shows que em outrora estavam disponíveis somente em grandes cidades do Brasil, a Evandro Negrucci, proprietário do Bar Da Montanha que está sempre permitindo que tudo isso se torne realidade em Limeira.

Galeria de fotos - Adrenaline Mob:
https://plus.google.com/u/0/photos/103287954660385021514/albums/6151727081815186641

Galeria de fotos Republica:
https://plus.google.com/u/0/photos/103287954660385021514/albums/6151762473547419585

Galeria de fotos Noturnall:
https://plus.google.com/u/0/photos/103287954660385021514/albums/6151743141832022481

Fonte: Press RTV

domingo, 2 de dezembro de 2012

Allegro, Lost Forever, Indiscipline (Teatro Odisséia, Rio de Janeiro, 25/11/2012)

Texto por Leonardo Coutinho
Fotos por Caroline Lucena (mais fotos podem ser vistas aqui)


Com prazer saí de casa num domingo chuvoso para prestigiar a volta aos palcos de uma banda muito estimada pelos headbangers do Rio e mais duas bandas da cena carioca. Tive o prazer de ver o Allegro ao vivo três vezes numa época em que a cena local de heavy metal estava muito prolífica, com muitas bandas em plena atividade lançando álbuns e fazendo shows. Bandas de qualidade, teor artístico e outros predicados indiscutíveis como Imago Mortis, Heaven Falls e o Lost Forever que, por sinal, foi a segunda banda a tocar na noite - porém a primeira que vi - já que quando cheguei o power trio feminino do Indiscipline já havia tocado seu set. Perguntei a um amigo meu como foi o show e ele disse que gostou do som das meninas que além das suas músicas próprias tocaram “Highway to Hell', do AC/DC com a participação de Luiz Syren, outro batalhador do underground carioca.

O Lost Forever fez um show, como não poderia deixar de ser já que é sua proposta sonora, pesado e intrincado. Chegam a impressionar o peso e os riffs, que flertam com o thrash metal dos caras. Tocaram músicas de seus dois álbuns e mais algumas novas e terminaram seu show em grande estilo tocando Van Halen “Jump”. Belo show.

E por fim o Allegro. Sete anos de hiato e retorna ao palco uma banda, que como toda banda underground, com muita luta já havia ganhado uma dose considerável de respeito na mídia metálica nacional e o carinho do público carioca fazendo, inclusive, um show no saudoso Ballroom para 600 pessoas. A primeira vez que vi os “allegrenses” em ação fiquei de queixo caído com o amálgama de sua técnica apuradíssima, ainda assim, absolutamente musical; suas composições marcantes e versáteis que passam pelo power metal, hard rock e progressivo - e o carisma de seus integrantes. Nas outras duas vezes que os vi, novamente fiquei atordoado pelo que me foi apresentado e dessa vez não foi diferente. Eles fizeram ainda um set voz e violão no meio do show tocando Beatles, Ozzy, Paul McCartney e outros clássicos. Este show serviu para mostrar que o Allegro continua sendo uma das melhores bandas pra se ver caso você aprecie a arte de tocar ao vivo. Não quero dar uma de advogado do underground, mas fui a muitos shows neste ano e este foi o único em que saí de queixo caído. Um fato que não posso deixar de tomar nota é que o Allegro cometeu a ousadia - alguns diriam heresia- de tocar Queen, já que poucas bandas se aventuram a fazer alguma versão das músicas de Freddie Mercury e Cia. E que bela heresia, meus amigos. A versão apresentada de “The Show Must Go On” foi simplesmente de arrancar lágrimas de uma estátua. Bem vindos de volta. O heavy metal carioca precisa de vocês, das outras bandas que se apresentaram antes e dos organizadores - nesse caso o pessoal do Garage - apesar do evento ter ocorrido no Teatro Odisséia. O underground agradece.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Show Review: Ratos de Porão, 26/10/12 - Circo Voador (RJ)

Por Andréa Pietro (originalmente publicado no blog Maidens in Metal)

Ainda bem que eu consegui vencer o cansaço de sexta à noite, para prestigiar a comemoração de 30 anos dos Ratos de Porão, no Circo Voador! Eu, Marido e mais um grupo de amigos estávamos entre as quase 2 mil pessoas que testemunharam que o tempo não passa para certas bandas.

Infelizmente não deu tempo de assistirmos ao show da banda de abertura, "Serial Killers". Depois de atravessarmos o engarrafamento tradicional da Lapa, chegamos ao Circo uns 20 minutos antes do Ratos começar os trabalhos. E foi uma noite totalmente "oldschool"! Punk rock, mosh pits contínuos, galera das antigas e parte da história do rock e do underground nacional ali em cima do palco.

As primeiras músicas foram cantadas por Jão, que depois foi pra bateria e depois assumiu a guitarra (o cara praticamente joga nas 11). A maioria dos ex-integrantes participou do show-comemoração em algum momento: Jabá, Betinho, Spaguetti, Fralda e Mingau estiveram lá para assinar embaixo desses 30 anos de existência.

E por falar em Mingau, o cara por si só já é uma lenda. Pra começar, o cara é canhoto, vira a guitarra pro lado de canhoto, e usa as cordas invertidas também. E além do Ratos, também passou pelos Inocentes, pela banda 365 - que só quem lia a revista Bizz na segunda metade dos anos 80 deve ter ouvido falar - e desde 1999 assumiu o baixo no Ultraje a Rigor (a meu ver, a melhor banda do BRock 80, mas isso já é assunto para outro post).

Quando João Gordo entrou no palco, na sétima música, o respeito da galera por ele e o gás que ele ainda tem para cantar e agitar as massas fez todo mundo esquecer desse papinho de "traidor do movimento". O cara é, SIM, um ícone do punk rock nacional e isso não se discute. E o som corria solto, muito bom mesmo, nenhum clássico ficou de fora, a primeira sequência com Gordo no vocal tinha logo duas porradas históricas: "Que vergonha" (originalmente da banda Olho Seco, mas que foi gravada pelo Ratos) e "Crucificados pelo Sistema". No meio de tantas músicas épicas, ainda ganhamos um cover de Ramones, a ótima "Commando". Gordo também foi responsável por um diálogo hilário com Mingau, dizendo que ele "virou new wave, traiu o movimento e criou o 365", no que o músico canhoto retrucou zoando o ex-companheiro por ter feito um comercial de TV.

Os stage dives não pararam por um minuto, a galera muito alucinada subindo no palco, pogando sem parar e se jogando (alguns de cabeça, como é que não se machucam? Vou passar a vida toda sem entender). Os seguranças não impediram a grande maioria, só evitavam que a galera pudesse, sem querer, chutar um equipamento ou algo assim. E não deixavam ninguém agarrar nenhum dos integrantes, teve gente que tentou mesmo. Fora isso, tudo foi festa, povo agitando do início ao fim, como um evento desses merecia.

Não rolou bis, o que na hora achei meio esquisito, mas pensando bem, o show foi porradaria ininterrupta, fazer aquela ceninha clássica de sair, esperar, voltar e recomeçar seria meio anti-clímax (além das principais músicas já terem sido todas tocadas).

Valeu demais a pena, foi uma viagem ao passado - e de primeira classe!

Keep on rocking!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Show Review: Viper, 10/07/12 - Teatro Rival (RJ)

Por Andréa Pietro (originalmente publicado no blog Maidens in Metal) 

Muito se falou e especulou sobre essa reunião do Viper, para uma turnê de 25 anos do lançamento do álbum "Soldiers of Sunrise". Vão voltar? Não vão voltar? André Mattos vai largar a carreira solo? Yves Passarell vai largar o Capital Inicial? Eles ainda tem gás?...

Eu já acho que melhor que especular é ir lá conferir. Eu fui e não me arrependo. Preço antecipado viável (R$50,00), local de fácil acesso e olhaí! Evento "sold out"! Não é que é possível?? E com uma platéia bem diferente da dos shows costumeiros, galera mais "old school", muitos indo direto do trabalho pois o show foi numa terça. Inclusive, taí um bom ponto para começar: o horário também era bem tranquilo para meio de semana, e o show começou praticamente na hora, se atrasou 15 minutos, foi muito.

Particularmente, me agradou muito que o show cobrisse apenas os 2 primeiros trabalhos do Viper, pois são os que eu gosto. Fora disso, só uma música ou outra do Evolution e depois eu não me interessei mais em acompanhar (ok, atenção, é apenas a minha opinião!!). Só não precisava ter sido tudo tão arrumadinho, tocaram primeiro o "Soldiers", músicas praticamente na ordem do disco (acho que só trocaram duas de lugar), depois intervalo, depois o "Theatre of Fate", etc. Se misturassem mais e a galera ficasse na expectativa do que vem depois teria sido mais bacana.

Mas vamos parar de reclamar, o show foi muito bom! Respondendo a algumas das perguntas do início: sim, eles ainda tem gás, ainda que não sejam mais crianças (e nem nós, hahaha), ainda sabem muito bem o que estão fazendo ali. E não, Yves Passarell não largou o Capital Inicial e nem veio com a banda, o músico só fez participações eventuais em SP. Hugo Mariutti o substituiu com competência.

Foi uma grande noite, do tempo em que Metal não tinha subdivisões, sub-estilos, sub-vertentes... Um pouco antes do final da primeira parte, André começou a contar sobra a primeira demo deles, a primeira música que gravaram, e omo o resultado final ficou tosco. A boa história serviu de introdução para "HR", e então se abriu a maior e mais demorada roda da noite. No intervalo do show, um documentário de uns 20 minutos contando a história da banda foi muito interessante, com depoimentos dos integrantes, produtores e ex-membros.

Quando acabou o repertório do "Theatre of Fate", e consequentemente a segunda parte do show, a banda saiu do palco deixando todo mundo curioso sobre o que seria tocado no bis. Não chegou a ser uma grande surpresa, voltaram com "Evolution" e "Rebel Maniac", do álbum também chamado "Evolution", trabalho que já não contou com André Mattos na formação do Viper. E fecharam com uma boa cover de "We Will Rock You" (Queen), confirmando o que eu comentei no meu post anterior, que as coisas boas são eternas! ;-)

Saí de lá satisfeita, pois finalmente pude ver o Viper ao vivo, e com uma sensação boa de ter voltado no tempo, nem que fosse só por duas horas e meia. Se eles vão voltar? Não sei, e acho pouco provável. A turnê comemorativa vai render um CD e um DVD, e acho que pára por aí. É pena, pois eles ainda teriam lenha para queimar, a julgar pela apresentação feita.

Keep on rocking!!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ian Anderson’s Jethro Tull, 15/05/2011 – Citibank Hall, Rio de Janeiro.

Texto por Erick Carvalho
Fotos por Erick Carvalho e Luana Laurito



“We’ll go walking out while others shout of war’s disaster.
Oh, be forgiving, let’s go living in the past.”
- Living in the Past, Jethro Tull.


Quinze de maio de dois mil e onze. Certamente este dia ficará marcado por muitos e muitos anos em minha mente pelo deleite musical apresentado pelo Senhor Ian Anderson em terras cariocas. O Show do eterno frontman do Jethro Tull no Citibank Hall ontem apresentou um espetáculo dos mais memoráveis que presenciei em minha vida. Não apenas por ser um grande fã de Ian e de todas as músicas do Jethro Tull, mas pelo carisma de Ian, seus maneirismos e, sobretudo, sua intimidade com o palco e com a plateia. Sua flauta é mágica e encanta.


Ian Anderson e sua proverbial presença de palco.


E falando em plateia, não podemos deixar de dizer como os fãs de Jethro Tull são heterogêneos. É igualmente prazeroso e estranho reparar que o público pagante ontem no Citibank Hall variava de adolescentes a coroas na casa dos 60 anos. Gerações de avós, pais e netos juntos em suas cadeiras esperando o incansável Ian Anderson encantá-los com sua flauta. E coloque incansável nisso! Ian Anderson não parava um segundo sequer! Desde o bombástico e nostálgico início do show com Living in the Past até o grandioso final, Ele não parou um minuto no palco, sempre com suas piadas, danças, saltos e as tradicionais jogadas de perna ao ar enquanto empunhava sua proverbial flauta.

Já sinto falta de Ian Anderson, essa é a verdade. Logo após Living in the Past, Up to me veio para me empolgar de tal forma que o show já estava quase completo pra mim. Mas não! Ian ainda tinha vários coelhos na cartola, ou uma lebre, bem verdade, como na bela canção Hare in the Wine Cup. No entanto, o que levantou mesmo a plateia arrancando aplausos de pé foram as incríveis versões de Bourée e Thick as a Brick que vieram logo em seguida. E quando tudo parecia estar fora do controle dos meros mortais, Ian Anderson atacou mais uma vez com Songs from the wood e Budapest, uma das músicas mais hipnotizantes já criadas pelo Sr Anderson. Nada poderia ser melhor, exceto a incrível versão de My God e Aqualung que esse ano completa 40 anos de seu lançamento, idade muito mais avançada que a maioria dos fãs ali presentes (eu incluso), fato notado por Ian com grande senso de humor, devo dizer.

O encerramento ficou por trás do bis com uma versão avassaladora de Locomotive Breath que não apenas empolgou os fãs como os motivou a deixarem as amarras das cadeiras e se dirigirem a borda do palco para sentirem as emanações de Ian Anderson bem de perto e por uma última vez.

Um verdadeiro flautista mágico.


Ian Anderson ao fim de bouree




Setlist:


1.Living In The Past
2.A New Day Yesterday
3.Up To Me
4.Hare In The Wine Cup
5.Songs From The Wood
6.Bach’s Prelude In C Major
7.Bourée
8.Thick As A Brick
9.Toccata And Fugue In D Minor (Bach)
10.A Change Of Horses
11.My God
12.Budapest
13.Aqualung
Bis
14.Locomotive Breath

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Show Review: Café Irlanda & Death Mountain

Por Andrea Pietro

Sexta-feira eclética e de casa cheia no Heavy Duty (Praça da Bandeira - RJ), com os shows das bandas Café Irlanda (música folclórica irlandesa) e Death Mountain (Heavy Metal).

Para começar, havia algum tempo eu não ia lá, e fiquei surpresa com a carta de cervejas importadas que a casa oferece. Feliz e contente, tomando a minha Leffe Blonde (cerveja belga com sabor levemente frutado), conferi primeiramente o show da CAFÉ IRLANDA, que faz um som bastante peculiar.

Formada por Caio Gregory (bandolim), Daniel Sinivirta (tin whistle), Ra Torres (violão), Rique Meirelles (violino) e Tiago Connall (bodhrán), a banda mistura a tradicional música irlandesa com algumas influências nacionais. Um som gostoso de se ouvir e bastante dançante, o que empolgou o público presente, que acompanhou com palmas e fez até trenzinho nas canções mais animadas. Um dos momentos mais animados foi quando tocaram a versão original de "Whiskey in the Jar", que todos conhecem nas versões do Metallica e, anteriormente, do Thin Lizzy. Típica música de celebração de beberrões! Outro ponto alto foi a execução do tema do filme "Coração Valente".

Depois de vários bis, chegando até a repetir músicas ante a insistência da galera, o Café Irlanda deu lugar à DEATH MOUNTAIN. Com seu Heavy Metal tradicional com influências de Iron Maiden e Savatage e com um som ao mesmo tempo pesado e trabalhado, a banda se diferencia das demais possuindo um estilo único e inconfundível.

Contando, em sua formação, com Tácito Reis (vocal), Rômulo Pirozzi (guitarra e backing vocals), Renan Ribeiro (guitarra), Leonardo Gomes (baixo), Lorena Tato (teclado) e Rennan "Rojão" Azevedo (bateria), a Death Mountain apresentou as músicas do seu EP "March to Hell", lançado no início desse ano e algumas composições que estarão no próximo trabalho, já em fase de produção. Inclusive, a banda tocou pela primeira vez no Rio de Janeiro a novíssima "Silent Streets" que foi muito bem recebida pelo público presente, que também vibrou com as músicas "Hall of the Mountain King" (Savatage) e "Sad But True" (Metallica).

Ao final do show o público não queria deixar os músicos saírem do palco, e foi feito mais um tributo, dessa vez ao Pantera, com "Cowboys From Hell", fechando a noite com chave de ouro.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Show Review: Marduk

Marduk – Unearthly – Enterro – Dark Tower
11-04-2010 – Teatro Odisséia – Rio de Janeiro/RJ

Texto e Fotos por Marcos Garcia*

Uma tarde/noite quente de domingo foi a data em que a Divisão Panzer Marduk tomou de assalto, pela primeira vez, as terras cariocas, com o suporte de três bandas peso-pesado do Metal Extremo carioca na abertura: Dark Tower, Enterro e Unearthly

A primeira banda a subir no palco foi o Dark Tower, que mostraram o porque de ser uma excelente banda das safras mais recentes.

Lançando mão do material de seus dois Eps (Spectres’ Arrival e Lord of the Vastlands), mais algumas novas, a banda realmente tem ótima postura de palco, liderados pelo vocalista Galf, que se destaca pelo vocal diferenciado e pela garra com que interpreta cada música, assim como a técnica e firmeza de Argos na bateria. Usando de elementos de vários estilos de Metal para cunhar sua música violenta, mas climática e única, o Dark Tower só precisa mesmo lançar um full length o mais breve possível. See the Rise!

Um intervalo providencial para beber algo gelado, e a Marcha Fúnebre começa a soar na casa. O Enterro então mostra seu trabalho, com músicas essencialmente de seu primeiro trabalho (Nune Scio Tenebris Lux). Black Metal cru, direto, sem firulas, com músicas vezes mais aceleradas, e outras vezes bem arrastadas e pesadas, que mostram que há uma identidade sonora na banda, foram recebidos de forma bem calorosa. O Enterro é compacto e os seus integrantes possuem boa postura de palco, destaque para o vocalista Nihil, que além de cantar muito bem, é um frontman único, pois prende a atenção do público. Não dá para tirar os olhos dele, que é extremamente performático. Quem puder vê-los ao vivo, entenderá o que digo...

O Unearthly subiu ao palco pouco depois, e logo surgiu primeira roda da noite.
Divulgando seu mais recente trabalho, o CD Age of Chaos. Não é necessário falar mais do que já foi dito sobre suas apresentações ao vivo, que são cheias de energia, garra e profissionalismo que a experiência lhes deu. Ótima presença de palco, sendo fiéis ao que se ouve nos discos, a banda desfilou músicas de todos os seus CDs, e ainda um cover para Orgy of Flies, do Sarcófago, em que o público cantou em uníssono o refrão. As músicas Age of Caos e Day of Storm for Christian Souls se destacaram, e a performance de Leghor Supay, que de volta a banda, mostra porque é o melhor baterista do Metal Extremo Brasileiro. Isso sem mencionar que o vocalista Eregion chamava a atenção do público para o apoio à cena metálica nacional. Muitos deveriam ouvir suas palavras e a praticarem...

Um novo intervalo acontece, e logo começa a tocar uma longa intro, e durante ela, todos os olhos se voltaram para o palco, ansiosos pela banda principal, e logo, surge o guitarrista Morgan, que saúda o público, bem como o batera Lars, o baixista Devo e o vocalista Mortuus. O grande nome da noite, Marduk, está enfim no palco e tocam de cara With Satan and Victorious Weapons, e o público começa a agitar freneticamente.

Com um set de pouco mais de uma hora, a banda faz um apanhado de clássicos de todos os seus álbuns, como Still Fucking Dead, Materialized in Stone, Panzer Division Marduk, Beyond the Grace of God e Azrael, bem como outras de seu novo CD, Wormwood. Mas quando começa a tocar uma sirene de ataque aéreo, muitos já sabiam que era a vez de um de seus maiores clássicos, o ponto alto da noite: Baptism by Fire.

É impossível que alguém não compreenda o porque do Marduk ser um dos pilares do Black Metal em todo mundo ao ver um de seus shows, porque a presença de palco da banda é insana. Os quatro não param um momento de agitar, sem contar que Mortuus não é apenas um ótimo vocalista e intérprete, mas também um frontman que se agiganta no palco e tem o público em suas mãos, com Morgan e Devo levando os presentes ao delírio com ótimas performances em seus instrumentos e em suas interações com o público, e Lars segura a base rítmica como poucos bateras do estilo.

A banda encerrou seu show e foi mais que ovacionada pelo público presente, deixando saudades e a promessa de retorno em breve, e dou o direito de dizer, não como crítico, mas como fanático pela banda, uma frase: Muito, muito obrigado Morgan, Mortuus, Devo e Lars por realizarem o sonho antigo de um de seus fãs das antigas...

A Mysterian Art e DJ Terror (da From Hell) estão de parabéns não só por trazer a banda ao Rio pela primeira vez, mas pelo profissionalismo apresentado em relação a cada detalhe do evento, e espero que esta dobradinha possa realizar mais e mais eventos desta escala. O público carioca merece e o Metal precisa de pessoas sérias assim...

Organização nota 10, bandas nota dez, público nota 10 = evento nota 10.

*Físico formado pela UFF, escritor, fã de Metal desde os 13 anos e soldado da Divisão Panzer Marduk.


Enterro

Unearthly

Marduk

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Show Review: Taurus, Mindflow e Andre Matos

Texto por Artur Henriques e Wesley Rodrigues
Fotos por Artur Henriques e Moska Jardim
Mais fotos do evento podem ser vistas
aqui

Há menos de uma semana fomos surpreendidos com a notícia de que Andre Matos viria ao Estado do Rio de Janeiro para dois shows: um em Campo Grande na Zona Oeste da capital fluminense (23/10) e outro em Niterói (dia 25/10). Era de se esperar que para um evento que contava com um nome de peso como o de Andre Matos (uma verdadeira instituição do metal nacional), Mindflow (uma banda em clara ascensão) e Taurus (banda antiga de importância ímpar para a cena no Rio), houvesse um público expressível. Mas não foi o que ocorreu: em Niterói, e pelo que nos foi informado, também em Campo Grande, o público foi algo abaixo de 200 pessoas, o que certamente se deve à pouca divulgação promovida pelos organizadores. Houve quem defendesse que isso se deveu à proximidade das datas que teria dividido o público entre os dois locais. Porém, há de se notar que tratam-se de dois locais distantes, com públicos distintos. Não cabe aqui também a velha ladainha de que carecemos de um bom público de Heavy Metal. É só lembrarmos que o último show do André Matos em dezembro do ano passado lotou o Canecão, casa que suporta por volta de 3 mil pessoas.

Nenhuma das bandas se abateu com o local esvaziado, demonstrando grande profissionalismo, o que é mais notável no caso de Andre Matos, acostumado a grandes eventos. O público respondeu à altura, injetando ânimo às bandas e contribuindo para o espetáculo.

A primeira banda foi o Age One, que praticam um Power mesclado com Thrash e vocais inspirados em Rob Halford. Desfalcada de seu tecladista, a banda fez um set curto, com destaque para o cover de Flight of Icarus, do Iron Maiden. A segunda a entrar foram os veteranos do Taurus, praticantes de um Thrash destruidor, e que fizeram um show glorioso. Curioso que a banda, existente desde de idos de 80, nunca tinha feito uma apresentação em sua cidade natal, Niterói. Um destaque deve ser dado ao guitarrista Cláudio Bezz. O Mindflow, estreante em palcos fluminenses, executou um preciso metal progressivo, de sonoridade bem moderna e agressiva, o que não deixou de incluir uma música com acento pop. Demonstrando carisma, a banda conquistou o público. Mesmo sendo todos mais do que competentes, destacamos o baterista Rafael Pensado, que não só possui técnica, como também uma pegada de grande força, e a versatilidade do vocalista Danilo Herbert.


Taurus

Taurus

Mindflow
Mindflow


André Matos sempre entra no palco com o público na mão e dessa vez não foi diferente. Ele, assim como toda banda, deu o melhor de si. O som, principalmente na segunda metade do show, estava embolado e muito alto, o que trouxe um considerável prejuízo (não que a maioria das pessoas tenha realmente se importado). Como ponto negativo, também consideramos a escolha do set-list, que não deu espaço devido aos clássicos da carreira pregressa do vocalista. André privilegiou os dois últimos álbuns, que são os pontos menos criativos e de menor relevância dentro da obra desse grande artista. Salvo esses problemas, a noite mostrou uma banda entrosada, carismática e em ótima forma.

O show foi aberto com Leading On e ficou claro que a galera já tinha as letras do novo álbum na ponta da língua. De Mentalize ainda teve a faixa-título, I Will Return e Never Say No. Do disco anterior, Time to Be Free, tocaram Letting Go (pedida muito pelo público), Rio, How Long (Unleashed Way) e Endeavour, que está se tornando a música que fecha os shows. Do Angra, tivemos Carry On e Lisbon. Do Viper, um medley de Living for the Night e A Cry from the Edge, esta última com peso e velocidade extras. Foi um dos pontos altos da sinergia entre banda e público na noite. Do Shaman, sua empreitada anterior, a solitária representante no set foi Fairy Tale, outro dos pontos mais altos. Some-se o cover do Journey, Separate Ways.

André estava especialmente comunicativo na noite, talvez por conta de uma ligação especial com a cidade, onde tem parentes e morou por grande parte da vida. O ânimo o fez incorrer inclusive em um elogio desmerecido à Araribóia, a quem saudou como herói que lutou contra os portugueses, senda a história outra: o índio na verdade era aliado dos colonizadores lusos no massacre de outras tribos.

Hugo Mariuti, que no passado foi tão questionado por não ser considerado um guitarrista à altura para substituir a antiga dupla de guitarras que acompanhava André, cada vez mais se consolida como uma das peças mais fundamentais da banda. Isto não só por conta de sua grande participação nas composições, mas também por sua performance no palco, sendo um “segundo” frontman. Eloy se demonstrou, agora mais do que antes, uma escolha acertada. Fez um memorável solo de bateria de grande impacto: violento, técnico e variado. O músico de 18 anos foi vítima de brincadeiras de André: além de felicitá-lo pela sua maioridade, lembrando que o antes garoto agora pode dirigir e beber, o vocalista sugeriu que o batera toma bomba para ficar forte.

O saldo final do evento, apesar dos percalços da produção, foi positivo. Foi louvável a iniciativa de levar esses importantes grupos para regiões não habituadas a receber artistas desse porte.



sábado, 27 de junho de 2009

METALMORPHOSE – TEATRO ODISSÉIA (21 DE JUNHO DE 2009)





Por Luís Carlos

Fotos: Renato "hell” Marques

Taí uma data que não vai sair tão cedo da minha memória, um domingo de tempo bom numa uma Lapa no Centro do Rio abandonada (diferente do povão que freqüenta o local nas sextas e sábados) e um show de uma banda pioneira do Metal carioca: Metalmorphose, que no momento celebra 25 anos de carreira com o lançamento do Cd “Maldição” e a gravação do DVD (que tive a honra de participar fazendo um depoimento) e que junto da Dorsal Atlântica lançou na década de 80 um Split chamado “Ultimatum” e que até hoje é lembrado pelo “povo das antigas” (dos tempos dos saudoso Caverna, do Baixo Gávea, Méier, etc), como também reverenciado pelo povo mais jovem que vem descobrindo a raiz do Metal Nacional, e melhor, aprendendo a valorizar àqueles que alavancaram e contribuíram pro som que existe hoje, e que infelizmente muitos ainda não conhecem ou sequer valorizam, mas, tenho certeza que esses não foram ao show por este motivo não fizeram nenhuma falta, pois perderam um grande show, uma aula de Rock and Roll, uma Banda Super animada em cima do palco, detonando como garotos de 17 anos em sua primeira banda e seu primeiro show, contagiando e deixando se contagiar pelo público presente (que merecia um público bem maior, mas pudera, enquanto uma tal “cena de organizadores” continuar policiando os outros e aprender que na música não existe dono e um público preguiçoso que só ouvir cover, tudo vai continuar assim, na mão de Posers). O Set List foi arrasador e foi até hilário ouvir as pessoas gritando frases da época, como “Pau no Cu de Deus” e também antes do show, com pessoas falando da época, dos cabelos, das roupas, enfim, foi cômico e histórico este momento. Clássicos como “Cavaleiro Negro” e “Minha Droga é Metal”, foi de um sentimento “Deva-vu” no público presente, uma volta no Túnel do Tempo, nos tempos em que à dificuldade é que movia a paixão, seja nos instrumentos caros, nos estúdios com pouco recurso e pessoas capazes para gravar Rock Pesado, das gravações de Vinis em fitinhas K7 (afinal os Vinis eram na maioria importados) e covers bem legais como Burn do Deep Purple (que rolou até um solo de beat it do Michael Jackson e que por coincidência, faleceu na semana seguinte), “Hair of the Dog” do Nazareth, Battle hymns” do Manowar (com destaque pra super voz de Tavinho), enfim, a banda literalmente arrebentou no palco e mostrou um baita entrosamento, com destaque pro solo do batera André Delacroix. Agora é ficar na torcida que a banda faça mais shows, afinal, estão aí com um trabalho lançado e espero que mais e mais pessoas conheçam o som dos caras e aprendam que mesmo sendo boas bandas, nem só de Sepultura e Angra, Krisiun e Torture Squad vive o Metal Nacional. Parabéns FullMetal pelo apoio, pela organização, provando mais uma vez que é a Melhor Produtora do Metal carioca.

1- luta
2- desejo imortal
3- wrathchild (Iron Maiden)
4- nosso futuro
5- harpya
6- complexo urbano /solo de batera
7- maldição
8- rebeldia
9- correntes
10 - ela tem sempre uma desculpa
11- burn (Deep Purple) / solo de guitarra
12- hair of the dog (Nazareth)
13-Não quero ouvir você
14 - minha droga é o metal
15 - a esperança nunca morre
Bis
16- Sexy sadie
17 - battle hymns (manowar)
18 - cavaleiro negro
19 - nosso futuro (repet.)
20 - Maldição ( repet)


sábado, 18 de abril de 2009

KISS, Apoteose, 8 de abril de 2009

Do ano passado pra cá, o Brasil tem sido presenteado com grandes shows consecutivos e o Rio de Janeiro felizmente está no roteiro, pois pude assistir Ozzy, Scorpions, Queen com Paul Rodgers, Iron Maiden, entre outros, e agora uma realização pessoal, a Banda que me despertou pra música (pro Rock Pesado), de um garoto que pelos idos de 1983 assistiu pela TV o Kiss dando espetáculo por aqui e também no saudoso programa BB Vídeo quando rolava o clipe de “I Love it Loud”, que faz parte do disco que considero até hoje o melhor da Banda: “Creatures of the Night”. Infelizmente na época nem tinha idade ou alguém que pudesse levar este menino nessa aventura, mas isso é passado, a realidade é que agora e eu estava diante da realização de um sonho, de uma banda que não faz show, mas ESPETÁCULO, pois esse é o diferencial do KISS, todo esse aparato visual em torno da música, o marketing liderado por Gene Simmons (existe alguém melhor no Show Business que este cara?), e novamente estavam eles por aqui, fazendo o bom e velho Rock and Roll e Gene, com seu parceiro de longa data, o cara que é o “show man” (uma estrela!!!): Paul Stanley, e mais as presenças de Tommy Thayer (no lugar de Ace Frehley) e do super baterista Eric Singer, que considero um dos melhores juntamente com o falecido Eric Carr (que tocou em discos como: “Creatures of the Night”, “Lick it Up”), e que me perdoem os fãs de Peter Criss (que é o baterista da formação clássica), mas esse aí eu considero o mesmo caso do Ringo Starr (The Beatles): “nasceu de bumbum pra lua”, pois como músico sempre achei bem limitado.

Bem, deixamos as críticas passadas e musicais e vamos ao que interessa, o show...ops, o espetáculo. A Noite começou com clássica introdução: “Do you wanted the Best, you got the Best, the hottest Band in the World...KISS !!!” e assim deu início ao espetáculo.
Então entram no palco tocando “Deuce” e o povo já vai ao delírio com os caras, e pudera, já que desde 1983 os caras não tocavam no Rio de Janeiro e daí o que veio a seguir foi uma sucessão de músicas que não só parecia um show como uma grande festa, como deve ser um grande espetáculo e coisas que só o Kiss sabe fazer, e se o dia e o preço não fizeram jus ao grande público como foi no Iron Maiden (não entendi o porquê das arquibancadas estarem fechadas no show do Kiss), a animação do público estava muito presente e embalada por muitas gerações de fãs, que ia desde crianças acompanhadas de seus pais até coroas que com certeza assistiram os caras em 83, com muita gente de cara pintada até fãs da fase glam. “Strutter”, Got the Choose” e “Hotter than Hell” (com a famosa cusparada de fogo de Gene Simmons) foram embalando o público, até que veio uma certeza que já pairava no ar: A chuva. “She” foi embalada pela “água” que durou apenas uma canção, acho que nem São Pedro” queria estragar a festa (acho que ele mandou a chuva foi pra espantar os crentes que aporrinhavam na entrada do local, pois crente não acredita em santo né) e com isso embalou ainda mais o ânimo dos fãs presentes, que já estavam muito emocionados com tantas canções executadas pelo Quarteto (eu mesmo fiquei muito feliz em ouvir “Parasite”, uma música que já foi muito bem coverizada pelo Anthrax). Depois de “She”, o guitarrista Tommy Thayer mostrou que tem fibra pra ocupar o lugar de Ace (mas na minha opinião o melhor solo do do batera). “Cold Gin” foi apimentando o público e as fãs mais histéricas, tudo a cargo de Paul Stanley, que no alto de seus 57 anos ainda fez muita meninha vibrar com sua boa forma. Ingredientes que não podem faltar num show do Kiss. “Black Diamond” veio com tudo, com Paul Stanley tirando sarro de “Stairway to Heaven” do Led Zeppelin. Curti muito a execução da música, pois além de contar com Eric Singer na batera, o cara mandou ver no vocal desta música. Em seguida, a música que me fez chorar em plena Apoteose:”Rock and Roll all Nite”. Todos começaram a festejar feito loucos, pulando, gritando, cantando a música, e a chuva de papéis picados tomando conta do local e os “tiros” de fogos vindo do palco, uma emoção sem tamanho, se o show acabasse ali eu não ligaria, mas, ainda tinha muita coisa boa pra acontecer. O intervalo serviu para a produção analisar o prejuízo que a chuva tinha dado e isso afetou na não execução da música “Love Gun” em que Paul voa sobre o público até a mesa de som. Chegada à hora do bis, os caras entram com “Shout it Loud” e o público vai a loucura novamente (e eu ídem, pois amo essa música), com Gene usando o famoso “baixo do machado”. A seguir “Lick it Up”, a única música executada da fase sem pintura, muito boa por sinal, Hard total (uma pena, bem que desta fase, poderiam tocar também “Heaven`s on Fire”), o que fez muita gente acreditar que os caras também tocariam “Forever”, mas acho que os caras não estavam num dia pra balada, pois nem “Beth” tocaram. Daí começam os gritos de ÔÔOÔ e já era hora de ser executada a clássica das clássicas, aliás, a música que me fez despertar pro Rock pesado: ”I Love it Loud” (mas a pergunta que faço é: por que os caras cortam uma parte desta música ? ). Grande execução da música e o que me fez querer ouvir também mais 2 músicas: “Creatures of the Night” e “War Machine”, mas aí é querer demais né. Mas, após execução da música Pop do Kiss: “I Was Made for Lovin` you”, os caras encerram com chave de ouro: “Detroit Rock City”. O público vai ao delírio demonstrando nenhum sinal de cansaço diante desta grande celebração que é um show do Kiss. Começam os fogos e muitos brincando dizendo: Feliz Ano Novo (risos) e começam a tocar no som da Apoteose “God Gave Rock and Roll to You” (os evangélicos “malas” que estavam no local divulgando panfletos falando que Rock é satânico deveriam ouvir isso, e pior, falando mal do Black Sabbath, acho que além de tudo são burros porque foram no show errado (risos). Será que no show do Heaven and Hell vão levar panfletos falando mal do Kiss? (risos).

RESENHA POR LUIS CARLOS

FOTOS POR LUCIANA










Setlist:
DEUCE
STRUTTER
GOT TO CHOOSE
HOTTER THAN HELL
NOTHING TO LOSE
C’MON AND LOVE ME
PARASITE
SHE
WATCHIN’ YOU
100.000 YEARS
COLD GIN
LET ME GO ROCK ‘N’ ROLL
BLACK DIAMOND
ROCK ‘N’ ROLL ALL NITE

Bis

SHOUT IT OUT LOUD
LICK IT UP
I LOVE IT LOUD
I WAS MADE FOR LOVIN’ YOU
DETROIT ROCK CITY

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Metal Battle (5/4/2009)

Por Leonardo Coutinho


Depois de passar a noite anterior sentado dentro de uma boate ao som de "Bate-estaca" e praticamente tendo que escoltar minha Patroa (eu sei é inacreditável, inclusive ninguém levava fé que eu fosse a esse ambiente hostil, mas o que a gente não faz para prestigiar um amigo aniversariante) nada melhor do que desbaratinar a mente indo a um show do nosso bom e velho heavy-metal. Mas este não era um show comum e sim a seletiva carioca do Metal Battle, concurso que faz parte do tradicionalíssimo festival alemão Wacken Open Air, que em conjunto com a Revista Roadie Crew, selecionará uma banda brasileira para o final do concurso na Alemanha disputando com bandas do mundo inteiro. A banda vencedora da etapa final é agraciada com a assinatura de um contrato de gravação com a Wacken Records. Eu não sei se o caro leitor tem a dimensão da importância desse tipo de evento pro metal nacional, pois eu tenho a ligeira impressão que a maioria das pessoas andam meio desconectadas com a realidade que as cerca, mas é uma excelente ferramenta de visualização e valorização do metal tupiniquim. Aliás, fica aqui uma pequena observação (tava demorando): o caro leitor já deve saber que o publico do show do Iron Maiden, de acordo com o divulgado, foi estimado em 22.000 pessoas, o do Kiss provavelmente dará um porrilhão de gente também. Onde estão esses headbangers, roqueiros ou apreciadores do rock'nroll quando há shows de bandas nacionais? É estupidamente óbvio que um show do Maiden ou Kiss encha, mas seria demais pedir que o publico desse uma "moral" aos eventos nacionais? Resposta: Sim, é pedir demais. Então se isso é pedir demais não espere que as coisas melhorem pro metal por aqui. Enquanto não mudamos nossa mentalidade pobre de babadores-de-ovos e peladores de saco de gringos e juntamemte com shows e cds de Medalhões do metal vestirmos a camisa do metal nacional, a situação não mudará. E tem gente que diz que o Brasil é o país do metal. Os músicos também poderiam ter uma postura mais razoável em relação a shows undergrounds, mas as vezes eles me parecem mais alienados do que o publico comum.Isso sem falar no amálgama de dor de cotovelos com ranzinzisse que faz com que um músico não reconheça a importância desse evento.Esse tipo de muquirana deve sentir-se realizado tocando com sua banda no quintal de sua casa tendo como platéria sua vó fã de Sidney Magal, sua irmã fã de Jorge Vercilo, seu irmão caçula pedindo covers de NX Zero, seu pai que comprou sua guitarra e sua pedaleira e seu cachorro manco. É, o Brasil é mesmo o país do Metal. Internacional. Mas diante dessa realidade não muito animadora, algumas pessoas ao invés de sucumbir a bundamolice aguda, doença essa altamente contagiosa, fazem algo em prol da gloriosa MPB (Musica Pesada Brasileira). Congratulações à Revista Rodie Crew que em parceria com o Wacken, possibilitou esse tipo de evento, e a Rio Metal Works, Fashion Produções e Fullmetal, que como sempre vêm se destacando produzindo shows de excelente qualidade no Rio de Janeiro. Bem, chega de lenga-lenga e vamos ao show.

A 1ª Banda da noite foi a Scatha, banda de Thrash Metal formada única e exclusivamente por mulheres. Quando este diminuto resenhista adentrava a casa de shows, a banda já estava tocando.Mas o pouco que vi me impressionou bastante. Já havia visto shows da banda e gostado do que vi, e notei uma clara evolução da banda no palco. Ótima perfomance, boas composições e destaque para o vocal cavernoso e os riff's trashers. Mesmo estando em 2009 ainda impressiona ver mulheres fazendo um som tão pesado. Ótimo começo.

A próxima banda foi o Hydria com um som muito influenciado pelo metal gótico. Contando com duas mulheres na formação (todo poder às mulheres)- guitarrista e vocalista- ok,ok elas eram bonitas, mas o principal é que desempenharam muito bem suas respectivas funções, especialmente a vocalista que se mostrou uma cantora afinadíssima. Toda a banda teve uma ótima postura no palco e o baterista tratou seu instrumento com a mesma educação que mereceria um eleitor de George W. Bush. Boas músicas, momentos pesados e uma ótima balada.A disputa estava acirrada. Próximo!!!

Era a vez do Dark Tower.Com um som calçado no metal extremo com direito a melodias e passagens acústicas, a banda fez um show destruidor, energético, pesado e extremamente funcional. Contando com um vocalista versátil que ia do agudo rasgado ao gutural grave com muita facilidade e performance muito boa. Os destaques da banda ficam com seus backing vocals bem reproduzidos, melodias de guitarras marcantes e passagens acústicas.

Faremos aqui uma pausa para registrar a triste perda de Luiz Henrique, um assíduo colaborador do metal underground. Sempre indo a shows e com seu programa de rádio e blog Rock Motor. Apenas por duas vezes tive a oportunidade de conversar com Luiz Henrique, um cara troncudo mas de fala tranquila e educadíssima. Não poderíamos deixar de homenageá-lo nessa resenha, coisa também feita no show por um dos produtores do evento. A morte é sempre lamentável, principalmente de quem faz diferença.

Era hora do Hellbreath subir ao palco. Os rapazes executaram seu metalcore ultrapesado com direito a breakdows e velozes blastbeats na bateria. A cada vez que assisto a essa banda noto sua evolução tanto técnica quanto performática. Vocais urrados típicos do metalcore mesclado à vozes limpas, backinvocals e solos mezzo técnicos e mezzo melódicos. Aliás não tem jeito. O destaque como sempre fica para as guitarras com riffs brutais e solos envenenadíssimos.

Depois de ter nossos ouvidos devidamente estuprados pelo Hellbreath, era a vez da ultima banda. E ela não fez feio.O show do Farscape foi altamente energético, Thrash Metal veloz e cru. O som bem calcado no Thrash ostentista foi muito bem recebido pela platéia que respondeu à altura com rodas de pogo. Provalemente o show mais intenso do evento, em parte pela postura da banda, em parte pela bateria insanamente veloz, lembrando algumas bandas de hardcore como nos primórdios do Thrash Metal. Show absolutamente empolgante.

Após o show era a hora do público voltar. O evento contou com alguns jurados ilustres, como membros da Revista Rodie Crew e Renato Tribuzy. O voto do público equivaleria a de um jurado.Votos devidamente registrados, era a hora do fechamento do evento por conta do Prophecy, banda vencedora da seletiva carioca ano passado. A banda apesar de algumas dificuldades técnicas, arregaçou tudo. Tocando músicas do seu recém lançado primeiro álbum Legions of Violence. Thrash Bay Area total, com riffs ganchudos, longos instrumentais, bases trabalhadas e, que diabos, ainda bem que a banda não pode competir novamente.....

Resumo da ópera com o Dark Tower classificado para a final nacional. Discurso de Vinícius Neves, apresentador do Programa Stay Heavy, parabenizando pela organização do evento, elogiando o público carioca e as bandas, e dizendo que foi uma das melhores seletivas que ele viu.

Parabéns aos produtores, às bandas participantes,à vencedora Dark Tower que ficou bastante eufórica com sua vitória com direito à um discurso bem emocionado e filosófico do baterista resumido à: CARALHO, PUTA QUE O PARIU E FODA-SE. Shows marcantes, casa cheia, e a final nacional será também no Rio dia 24 de Maio. Boa sorte ao Dark Tower e independente de qualquer resultado só um idiota não percebe que o maior beneficiado nessa história toda é o metal tupiniquim.

E tenho dito.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Show Review: Iron Maiden no Rio de Janeiro (14/03/2009)

Texto por Raquel Torres
Fotos por Alexandre Fagundes e Adriano
Agradecimento especial a Flaveus van Neutralis por correções e acréscimos


A noite de sábado foi realmente inesquecível. Mas comecemos do clichê, comecemos do começo. Era em torno das 16:30, e entrada para a pista normal já estava lotada na Apoteose. Pessoas dormiram e madrugaram na fila. Quando o relógio marcava 17 horas, o público, bastante ansioso e agitado, começou a balançar as grades. Nessa altura nem existia mais fila direito. O calor estava terrível. O começo da fila, bem perto do portão de entrada, já tinha se tornado algo que podemos popularmente chamar de “muvuca”. Era uma fila marcada pela falta de organização da produção do show. Empurrões, estresses e muito suor eram perceptíveis nesse momento. A paciência dos fãs foi sendo testada a cada minuto de atraso na abertura dos portões. Até que, com vários minutos de atraso, a entrada foi liberada. Era impossível não andar, pois a multidão levava a todos como se fosse uma onda com uma grande correnteza. Logo depois de todos passarem pelo pequeno portão, toda a multidão começou uma correria para a próxima fila. Nessa correria teve gente caindo, objetos sendo perdidos e deixados para trás. Foi uma verdadeira maratona de São Silvestre. E salve-se quem puder de ser atropelado e pisoteado! Logo depois dessa correria, duas filas se formavam. Foi a fila para revista de bolsas, bolsos e mochilas. Muita gente furando fila, e muitas brigas se formando. Confusões mesmo, de ter gente saindo no soco. Além disso, pessoas passaram mal e umas chegaram a desmaiar. Deve-se deixar bem claro que a segurança do local não interferiu de forma alguma nas brigas e não apareceu nenhum paramédico para socorrer os que desmaiaram. Logo depois dessa revista, outra correria, mais balbúrdia, mais gente passando mal e mais falta de organização. A última fila agora era de validação do ingresso, apresentação de identidade, etc. Depois de tanta correria, enfim, os fãs chegaram ao lugar de destino: a pista da Apoteose. Abriram os portões das arquibancadas e muitos foram ocupar os lugares como opção de um ser mais alto e amplo. Da arquibancada podia-se perceber uma enorme correria na pista lá embaixo, do lado direito. Eram dezenas de pessoas correndo na direção da saída, mas não estavam saindo. Muitos pensaram que fosse mais uma briga. Depois, veio-se a descobrir, através de relatos de quem estava no local, que as pessoas estavam levando choques elétricos. O chão e os fãs estavam molhados por causa da chuva, o que ocasionou em descargas elétricas sendo transmitidas pela multidão. Uns dizem que eram os seguranças do local dando choques (nada oficialmente confirmado) e outros afirmaram que seriam fios desencapados. O fato é que foi um grande susto na galera que estava no local e também para quem viu de longe. Mas vamos para as partes felizes do evento. Lá de cima a vista é mesmo impressionante. O Cristo Redentor bem atrás do palco formava uma bela paisagem para o espetáculo metálico que estava por vir. Perto das 20:30 começa o show de abertura com Lauren Harris, filha de Steve Harris. Ela começou um pouco mal aquecida, mas com o tempo foi soltando melhor a voz. Os músicos eram bons e algumas músicas tinham refrões bem elaborados. Lauren mostrou uma interessante performance e boa presença de palco. Mas as canções não agitaram muito o público presente, que mais parecia estar enlouquecido com a espera da grande atração da noite. Já dava pra perceber que o som não estava muito bom. A equipe de produção do evento poderia ter sido mais exigente quanto à qualidade do áudio. Pouco mais de meia hora depois, a banda de Lauren se despede do palco. Depois de um intervalo, foi exibido nos telões um vídeo da turnê “Somewhere back in time”, com cenas da banda em seu avião particular pilotado por Bruce Dickinson. Logo em seguida, um pequeno vídeo com cenas da Segunda Guerra Mundial foi exibido junto da clássica introdução com o discurso do Primeiro-Ministro Britânico Winston Churchill, já remetendo os fãs para o ano de 1984 e dando uma dica do primeiro clássico da noite: Aces High. O público explodiu de emoção com a abertura do show. Bruce, com seu incrível desempenho, pulava de um lado pro outro. Quanta energia! Ao final de Iron Maiden uma grande cabeça de Faraó que fazia parte do cenário do palco se abriu e por trás do palco surgiu o mascote da banda, Eddie, que estava mumificado. Ele mexia os braços e a cabeça, e com certeza remeteu às super produções do carnaval carioca na Sapucaí. E em The Evil that Men Do surgiu andando pelo palco um enorme robô do Eddie, da capa do disco Somewhere in Time. Além das duas gloriosas aparições do mascote, houve no mesmo palco bonitos fogos de artifício e imensas labaredas num grande show de pirotecnia. Foi incrível a interação da banda com o público durante o show como um todo, mas algumas músicas merecem destaque: Aces High, que foi a música de abertura pegando muitos de surpresa (surpresa porque estava difícil conseguir perceber quando a banda ia entrar no palco. Os que foram no show devem entender isso); 2 Minutes To Midnight foi outra música bem cantada pelo público embalado de “Scream for me Rio de Janeiro!” que Bruce não se cansou em repetir durante todo o show, podemos apostar que ninguém ali (pelo menos os cariocas) se cansou de ouvir também. Merecem ser citadas também The Trooper, Fear Of The Dark (cantada em uníssono a todo instante, inclusive em seus leads e solos de guitarra melodiosos e marcantes) e The Number of the Beast que foram também clássicos muito bem executados pela banda, além da emblemática Run to the Hills. E não se pode deixar de citar as que, há muito tempo, não apareciam nos shows de turnês mundiais do Iron e que, acima de tudo, causaram uma magnífica reação do público: Children of the Damned (a qual emocionou verdadeiramente muitos presentes), Phantom of the Opera (um dos clássicos supremos da banda); a épica e soturna Rime of the Ancient Mariner e a empolgante Powerslave. O show foi encerrado com a animada Sanctuary (mais uma da era Paul Dianno). É inegável que uma turnê com as melhores músicas da carreira do Iron Maiden vai fazer muito sucesso por onde passar. Apesar da falta de organização, da chuva e da qualidade do som, foi uma honra poder participar de um incrível show como este.

























Set List do show:

1. Aces High
2. Wrathchild
3. 2 Minutes To Midnight
4. Children Of The Damned
5. Phantom Of The Opera
6. The Trooper
7. Wasted Years
8. Rime Of The Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Run To The Hills
11. Fear Of The Dark
12. Hallowed Be Thy Name
13. Iron Maiden

BIS
14. The Number of the Beast
15. The Evil That Men Do
16. Sanctuary

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Show Review: André Matos - 20/12/2008

Texto por Wesley Rodrigues
Fotos por Jacqueline Natividade


Pela primeira vez no Rio de Janeiro desde sua última turnê com o Shaman, no começo de 2006 se não me engano, André Matos deu as caras de novo no dia 20 de dezembro pra apresentar pela primeira vez aos cariocas o seu trabalho solo, Time to Be Free (2007). O público teve boa presença no Canecão, talvez causada pela expectativa que a ausência do ídolo criou, o que foi o meu caso. Por volta das 23h estava ele no palco. Roupa de gala, chapinha no cabelo, carisma transbordando e vamos lá!

Histeria não é termo exagerado para descrever a reação da platéia à introdução de Letting Go, que abriu o show. As músicas novas já estavam na ponta da língua da galera que estava com uma animação um tanto fora do comum. Durante todo o evento, a participação maciça do público trouxe emoção extra.

Em seguida veio Rio, composta em homenagem à cidade, muito bem recebida também. Depois Looking Back para fechar essa primeira parte de canções novas. Time to Be Free talvez seja o trabalho menos expressivo da discografia de André Matos. Não que as músicas não sejam de qualidade, coisa que seria facilmente contestada por quem estivesse no Canecão para ver o quão bem elas funcionam ao vivo. São bem arranjadas e tocantes em sua grande maioria. Contudo, ele não segue a excelência que é de práxis nos trabalhos desse bom moço. As composições não tem a inteligência da época do Angra, banda que se reinventava continuamente. Nem a pegada do Shaman, que soube ser pesado e melódico, com músicas bem trabalhadas, porém diretas. Ainda que seja um tanto tosco afirmar que Time to Be Free é um trabalho sem criatividade, como se André Matos estivesse se enchafurdando em clichês, é fato que falta algo ali.

Então, que nada seja tão bem-vindo quanto um retorno ao passado (e como eles são essenciais no Heavy Metal!). Distant Thundher me fez ter vontade de que todo o resto do show fosse de músicas do álbum Ritual. Angels Cry, recebida com emoção tal que fez muitos fecharem os olhos fazerem caretas, foi cantada tão fortemente que eu saí de onde estava para que pudesse ouvir mais o André do que os desafinados perto de mim.

De uma forma geral, a banda estava muito bem tocando com empenho e garra. O som é que teve algumas baixas: a guitarra de Hernadez às vezes era baixa demais, assim como o microfone de André Matos em um ou outro momento. Nada que atrapalhasse o espetáculo, porém. O garoto Eloy Casagrande, de apenas 11 anos (rs), mandou muito bem na bateria, assim como os guitarristas Hugo Mariutti e André Hernadez (que se parece muito com o James Labrie), o baixista Luís Mariutti e o tecladista Fabio Ribeiro. Ainda assim, deve ser dito, se é que não é demais fazer mais uma digressão nesta resenha, que André Matos merecia melhores guitarristas. O Mariutti é foda, desce a mão e tem boa presença de palco, mas não tem um leque técnico amplo. Hernandez...bom, tá lá, toca bem e tudo mas está longe de ser alguém que impulsionaria criativamente André Matos. E pensar que um dia ele teve Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro ao seu lado. Enquanto eles não voltam (e com certeza eles voltam, pode escrever aí), André devia ficar bem atento para recrutar alguém com mais personalidade e feeling.

Direto dos anos 80, veio Living for the Night e A Cry from the Edge. As canções da época do Viper ainda são desconhecidas de boa parte do público, infelizmente, porque foi muito gostoso cantar a parte lenta da primeira delas. Particularmente, foi o momento mais emocionante do show. E que riff o de A Cry from the Edge!

E toma-lhe Separate Ways, cover do glorioso Journey. André trouxe de trás do palco Nando Fernandes para ajudá-lo a cantar esta música, de um modo totalmente improvisado, com um apontado para o outro as partes que deviam cantar. O contraste gritante entre os dois (esse Nando é animal) fez lembrar que André não anda abusando da sua voz. Em Nothing to Say, isso fica mais patente: ele não ia até onde a música pedia (ou permitia). Mas que nada mais arranhe sua reputação como vocalista.

Menção importante é a de que em conversa com a platéia, André falou das dificuldades de realização desta turnê com Hangar (batizada cretinamente de Metal Christmas, diga-se de passagem), causadas pela discriminação e preconceito que se tem contra o Heavy Metal. Ainda que ao falar isso ele também tenha sido preconceituoso (disse que um público de pagode não se comporta da mesma forma, trazendo confusão), a mensagem foi válida porque o Heavy Metal é fortemente lesado pela imagem torta que se tem dele por aí.

Das antigas ainda teve Lisbon, Fairy Tale (que foi um momento intenso) e a sempre exigida Carry On. Das novas, How Long e Endeavour, essa última escolhida para fechar o show, o que aconteceu de forma linda, ainda que a música não seja nada espetacular: com todos deixando o palco gradualmente ao terminarem suas partes, até que só ficou André nos teclados tocando uma bela melodia.

O set-list poderia conter uma ou duas músicas a menos do novo disco, e a inclusão da faixa-título “Time to Be Free”, a melhor daquele disco. Mas falta maior é a ausência total do Virgo, o “Queen moderno”, um capítulo da discografia que jamais deve ser esquecido.

Em suma, uma noite marcante cujo protagonismo foi disputado fortemente entre o público e o próprio André.